Este blog visa a compartilhar experiências com outros profissionais da área de educação como o objetivo de estudar a dicotomia que a atual sociedade cristalizou enquanto tal - a língua escrita é mais perfeita do que a língua oral. Visa também, como nem todos somos de ferro, divagar sobre o fantástico mundo da literatura e filosofia que permeiam a atividade pedagógica.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
O Mestrado em Educação pela Unisal nos proporciona muitas oportunidades para participar de Seminários e de Grupos de Estudo. Participaremos deste evento programado para o dia 19 de outubro com o artigo para comunicação oral intitulado PAULO FREIRE E A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA EDUCAÇÃO.
link: http://unisal.br/hotsite/seminarioextensao/
Convido a todos parteciparem deste IV Seminário Internacional de Educação "PAULO FREIRE E A EDUCAÇÃO SUPERIOR". Vamos participar com o artigo Paulo Freire e a educação superior: novos aportes e subsídios para se entender como seu pensamento fertiliza e ressignifica o meio acadêmico no século XXI, no contexto de um curso de Moda em Americana/SP.
O IV Seminário Internacional de Educação terá como tema “Paulo Freire e a Educação Superior”. O educador pernambucano ficou mundialmente conhecido não apenas por suas reflexões, mas também por suas intervenções no campo da Educação de Adultos (EDA). Suas obras, como Educação como prática da liberdade (1967), Pedagogia do oprimido (1968), Pedagogia da Esperança (1992) e Pedagogia da autonomia (1997) foram traduzidas em vários idiomas, mas em nenhuma delas aparece referências muito explícitas sobre as questões da Educação Superior. Contudo, em 1994, por iniciativa de Miguel Escobar Guerrero, Alfredo L. Fernández D. e Gilberto Guevara-Niebla, realizou-se na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), um seminário em que Paulo Freire debateu, com muitos pesquisadores da educação e das ciências sociais em geral que estavam presentes, as questões relativas à universidade, à educação superior e ao papel dos intelectuais, explicitando conceitos, categorias e posições inéditas sobre temas que não são muito comuns no conjunto de seu legado.
Como em edições anteriores, o IV Seminário Internacional de Educação abrigará a reunião de conclusão da Rede Ibero-Americana de Investigação em Políticas Educacionais (RIAIPE III), constituído por mais 30 equipes de pesquisadores de 19 países, sendo: (i) da América Latina - Argentina (Universidad de Buenos Aires, Universidad Nacional de San Martin, Universidad Nacional de Tres de Febrero), Bolívia (Universidad Loyola de Bolivia), Brasil (Universidade Nove de Julho, Universidade do Sul de Santa Cataria, Universidade Federal da Bahia), Chile (Universidad Ciencias de la Información), Colômbia (Univesidad del Rosario e Universidad de Nariño), Costa Rica (Universidad de Costa Rica), Cuba (Universidad de la Habana), El Salvador (Universidad de El Salvador), Guatemala (Centro Universitario de Occidente, Universidad de San Carlos de Guatemala), Honduras (Universidad Nacional Autónoma de Honduras), México (Universidad Nacional Autónoma de México, Universidad de Guadajalara), Paraguai (Universidad Autónoma de Asunción, Universidad Nacional de Asunción), Peru (Universidad Nacional Agraria la Molina), Uruguai (Universidad de la República) e (ii) da Europa - Espanha (Universidad de Barcelona, Universidad de Valencia), Holanda (Universiteit Voor Humanistiek), Itália (Università degli Studi dela Tuscia), Inglaterra (University of Brighton), França (Université Lumière Lyon 2), Portugal (Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias), que vem desenvolvendo o “Programa Marco Interuniversitário para a Equidade e a Coesão Social das Instituições de Educação Superior na América Latina”, numa feliz coincidência temática.
Finalidade e objetivos
O IV Seminário Internacional de Educação tem por finalidade apontar e disseminar as concepções e as práticas de Paulo Freire sobre a Educação Superior, com o intuito de identificar matrizes institucionais alternativas ao modelo clássico de universidade ocidental (napoleônico e humboldtiano) e às formas acadêmicas tradicionais de formulação, comunicação e aplicação do conhecimento, de modo a colaborar para a construção dos conceitos de “ciência pública” e de “democracia cognitiva omnilateral”.
Para melhor concretizar suas finalidades, esta edição do Seminário Internacional objetiva:
I - identificar instituições de educação superior (IES) alternativas e nichos de pesquisa e de intervenção congêneres nas IES tradicionais;
II - estimular o desenvolvimento de massa crítica sobre ciência pública popular, isto é, sobre conhecimento voltado para os interesses da maioria da população das diversas formações sociais participantes do evento;
III - desenvolver a democracia cognitiva omnilateral, identificando, dando visibilidade e disseminando os conhecimentos desenvolvidos fora dos muros das universidades e das bancadas dos centros de pesquisa consagrados pela comunidade científica;
IV - dar visibilidade à produção científica e aos projetos de intervenção das IES e dos nichos mencionados no objetivo I;
V - identificar e coletar referenciais teóricos, de políticas e de práticas educacionais, elaborados por Paulo Freire e por membros da comunidade freiriana espalhados pelo mundo;
VI - promover a confraternização dos representantes da educação dos países em que Paulo Freire atuou;
VII - editar e divulgar os manuscritos fac-similados da Pedagogia do oprimido, de Paulo Freire, para que possa servir de matriz para as futuras edições da obra;
VIII - divulgar as ideias de Paulo Freire sobre educação superior, a partir da preparação da edição de obra que contém suas alocuções no seminários realizado em 1994 na Universidade Autónoma do México.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
A Odisseia - uma viagem pelo mar revolto da ética e epistemologia grega até nossos dias
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| O episódio da descoberta da identidade de Ulisses pela escrava Euricleia. |
Este belo texto foi pensado pela professora doutora Maria Luísa Bissoto, professora da Unisal das disciplinas Seminário de Pesquisa e Teorias Psicopedagógicas da Ação Educativa do curso de Mestrado em Educação da UNISAL- campus Maria Auxiliadora, Americana/SP. É altamente enriquecedor pensá-lo neste momento de pós-modernidade.
Odisseia – Ética e epistemologia
Menor exercício do
poder , por parte dos deuses, do que na Ilíada. Mais inconstante também. Homens
deveriam ser piedosos, mas isso não lhes garante mais recompensas; seus
conselhos devem ser observados, mas obedecê-los parece ser cada vez mais
impossível.
Ulisses é filósofo, heroico, e
mesmo sábio, homem de sofrimentos, que busca a superação para sua
circunstancialidade; mas é também dono de uma personalidade desviante,
engenhosamente mentiroso, satisfeito com sua própria esperteza.
Homero retrata o devir humano em
sua complexidade, contrasta e contrapões pontos de vista, experiências, reflexões,
em uma estrutura organizada e poética. Ulisses narra suas aventuras, suas
“bravuras”, mas também reconhece seus erros e aqueles de seus companheiros.
A viagem
De Troia Ulisses encontra a terra
dos Cicones, que ele se vangloria de saquear, avisa seus marinheiros para
pararem a luta, mas eles não escutam e 6 marinheiros de cada navio são mortos.
O episódio com os Cíclopes
Ulisses reconhece que os
infortúnios começaram, aqui, por sua PP culpa, sua insaciável sede por
conhecimento, fazer amigos e ganhar/adquirir/meritar presentes/recompensas.
Entra na caverna dos Cíclopes mesmo contra os pedidos da tripulação. Depois de
uma perigosa escapada, ele ainda se vangloria frente aos Cíclopes e mais, anuncia seu PP nome, facilitando a
vingança dos Cíclopes que, em sabendo seu nome, dirigem-se a Poseidon para
pessoalmente combatê-lo. Ao contrário do “truque” para sair da caverna: “quem
está aí?”. Ninguém...Pensar no peso do nome, da autoria, do assumir o pp nome
na produção/negação do conhecimento. Quem decide essa autoria sou eu, quem
decide quem nomear sou eu...
Livro 5-
Ulisses está na Ilha de Calipso,
fora dos limites do mundo conhecido, portanto, “sem fortuna, sem navios”, sem
meios para orientar-se. Sem padrões ético-morais? Deve valer-se de seu engenho
para sobreviver e retornar à casa.
No caso do saco dos ventos -
Ulisses “erra’ POR NÃO CONFIAR EM NINGUÉM. Lhe apraz ter o domínio do
conhecimento. Consequentemente, sua tripulação não confia nele, e passam a
revistar sua bagagem. Às costas de Itaca, destino final, abrem o saco de ventos
e são direcionados para longe dali. Ulisses controla seus sentimentos, sua
frustração, e decide recomeçar a viagem. Decide tornar-se mais resistente,mais
sábio, passando de um “rude bucaneiro” a um planejador e a um ser moralmente mais
ético.
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| A passagem do canto das sereias na ilha de Circe. |
Na ilha de Trinasia, o gado do
Sol- que não deve ser tocado. Novamente, em jogo a questão do restringir-se.
Toda a narrativa é marcada por
avisos, conselhos, mas que não percebidos assim por Ulisses e sua tripulação,
ou são percebidos tardiamente. Precisa estar-se aberto ao inesperado, às
“pistas” que nem sempre são entendidas. Ulisses sobrevive aos
companheiros/aventuras não porque é “abençoado”, protegido dos deuses, nem porque não comete erros, mas porque aprende com seus erros, adapta-se. Aprende a controlar
seus impulsos heroicos- derrotar aos
inimigos, vencer pela força da verdade, salvar o mundo- e sua curiosidade-
coloca limites ao saber. Mas tornou-se cada vez mais envolvido com si mesmo,
ensimesmado, em solidão.
A
Odisseia está preocupada com a sociedade, com a preservação dos laços
morais, de amizade, racionais e afetivos, que mantêm a sociedade unida.
Hoje gostaria de compartilhar experiências tidas no EJA (Educação para jovens e Adultos), tidos como difíceis de entrar na dinâmica do processo ensino/aprendizagem, mas existem maneiras para se contornar tal problema. Afinal, nós, educadores, somos o que somos pois lidamos com o ser humano, respeitando a ALTERIDADE!
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| O prazer em aprender, em ser independente é imensurável |
OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: CAMINHO DE INCLUSÃO
PARA ALÉM DA
ESCOLARIZAÇÃO.
RESUMO
Pretende-se
discutir aqui um caminho para Educação de Jovens e Adultos- EJA para além da
escolarização pautando-se na experiência da Região Metropolitana de Campinas,
fundamentando-se nos documentos da VI CONFINTEA- Conferência Internacional de
Educação de Adultos.
À
luz desse documento reflete-se o modelo de Educação de Jovens e Adultos posto
hoje, trazendo as reflexões de alguns autores com o objetivo de rediscutir o
papel da EJA para além da escolarização - para quem, para que e como
educamos?
Apresenta-se
uma proposta de inclusão escolar dentro de um projeto, que contempla uma massa
marginalizada de sujeitos que não teve acesso à escola e tão pouco vislumbrava
isso como possibilidade, apontando os benefícios de uma educação ampla
garantindo a humanização, reinserção escolar e social, mais qualidade de vida,
acesso aos bens públicos, conscientização social, política e ambiental.
Discutem-se
as dificuldades administrativas e pedagógicas de uma educação sociocomunitária
para além da escolarização esbarrando desde as políticas públicas até a
formação dos professores, trazendo um pouco a trajetória da educação
sociocomunitária no Brasil com a filosofia de Paulo Freire e propondo a
construção de novas formas de atuação.
Aponta-se
para os desafios da EJA, o modelo de alfabetização e ensino hoje e a
compreensão da educação ao longo da vida que pressupõe a construção de Projetos
Pedagógicos diferenciados. Questiona-se ainda às propostas assistencialistas
que apenas tem como finalidade ocupar o tempo dos sujeitos. A construção de uma
sociedade melhor passa necessariamente pela educação que continua formando e
educando os sujeitos em todas as idades para serem construtores ativos dessa
sociedade que deve ser de todos.
PALAVRAS
CHAVE: EJA- INCLUSÃO- EDUCAÇÃO SOCIOCOMUNITÁRIA
LOS
RETOS DE LA JUVENTUD Y LA EDUCACIÓN DE ADULTOS: HACIA LA INCLUSIÓN
MÁS
ALLÁ DE LA EDUCACIÓN.
RESUMEN
La
intención de discutir aquí un camino para Jóvenes y Adultos-EJA allá de la
enseñanza basándose en la experiencia de la Región Metropolitana de Campinas,
basándose en el Documento de la Conferencia-CONFINTEA VI Encuentro Internacional
sobre Educación de Adultos.
A la luz de
este documento refleja el modelo de jóvenes y adultos hoy en día, con lo que
las reflexiones de algunos autores con el fin de revisar el papel de la
educación de adultos más allá de la educación - a quién, para qué y cómo
educamos?
Se presenta
una propuesta para su inclusión en un proyecto de la escuela, que incluye una
gran cantidad de temas marginados que no tienen acceso a la escuela y lo
imaginó lo menos posible, señalando los beneficios de una amplia educación
garantizando la humanización, la escuela y la reintegración social, mejor
calidad de vida, el acceso a los bienes públicos, la conciencia social y la
política ambiental.
Se discuten
las dificultades pedagógicas y administrativas de una educación socio-comunitaria
más allá de la escolarización golpes de la política pública para la formación
del profesorado, con lo que un poco de historia de la educación en Brasil con
la filosofía socio-comunitaria de Paulo Freire y proponer la construcción de
nuevas formas de la acción.
Señala los
desafíos de la EJA, el modelo de la alfabetización y la educación de hoy y la
comprensión de la educación permanente que requiere de la construcción de
proyectos pedagógicos diferenciados. Se preguntó propuestas de bienestar que sólo
tiene como objetivo ocupar el tiempo del sujeto. La construcción de una
sociedad mejor pasa necesariamente por la educación que sigue formando y
educando a las personas en todas las edades para ser constructores activos de
esa empresa que debe ser todo.
PALABRAS CLAVE: EDUCACIÓN -EJA-INCLUSIÓN
SOCIO-COMUNITARIA
Educar é a mais avançada tarefa social emancipatória. [...] a
educação terá um papel determinante na criação da sensibilidade social
necessária para reorientar a humanidade. ASMANN, 1998, p. 26
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| Idosos e Adultos aprendendo no ambiente de alteridade e respeito pela dificuldade que cada um tem no processo ensino/aprendizagem |
INTRODUÇÃO
Pretende-se discutir os problemas e desafios da Educação de Jovens
e Adultos EJA Região Metropolitana de Campinas, trazendo a experiência da
cidade de Campinas num trabalho que acontece a 25 anos ligados diretamente à
prefeitura desse município, através da Fundação Municipal para Educação
Comunitária- FUMEC.
Enquanto educadores, trazemos muitas inquietações quanto aos novos
rumos da EJA- Educação de Jovens e Adultos no Brasil e temos buscado
fundamentar nossas práticas no legado freiriano e nas novas propostas de
educação para além da escolarização.
No que diz respeito às políticas Educacionais a Educação de Jovens
e Adultos esteve sempre subjugada à boa
vontade política da administração pública e
devido a outras prioridades,
sempre esteve relegada a segundo plano. Temos uma história sofrida de grandes
lutas para pequenas conquistas que seriam “de direito” dos nossos alunos.
A
educação, então, é considerada como um direito do ser humano de existir no
mundo com dignidade e de exercer a sua cidadania. Neste sentido, a educação de jovens e adultos está no
cerne do debate sobre a exclusão social e sobre a questão da democratização
do ensino, ou seja, do acesso de todos os indivíduos à educação, bem como
de sua permanência. Do reconhecimento dos excluídos, por fatores de idade e de
classe, do direito de acesso à escola pública, do direito de “ler e de
escrever; de questionar e de analisar; de ter acesso a recursos e de desenvolver
e praticar habilidades e competências individuais e coletivas” (UNESCO, 1997,
p. 3 apud Oliveira, 2009 p.6).
Trazemos para essa reflexão os textos da VI Conferência
Internacional de Educação de Adultos - CONFITEA, que apresenta uma proposta de
educação para o longo da vida, numa abordagem para além da escolarização.
A FUMEC desde sua fundação passou por
muitas fases e mudanças estruturais e nesse tempo de trabalho com a Educação de
Jovens e Adultos percebemos que o perfil da clientela de EJA vem se alterando,
não somente na FUMEC, mas no Brasil.
Os jovens e adultos de 15 a 59 anos,
que podemos chamar de “demanda produtiva
da sociedade”, que estaria se
escolarizando para o mercado de trabalho, vem diminuindo porque de certa forma estão inseridos no
mercado informal e uma crescente demanda tem surgido dos
marginalizados sociais (deficientes, doentes mentais, adolescentes infratores,
idosos). Embora sejam demandas da saúde e da assistência, a educação desempenha
com eles de fato um papel de reinserção escolar e social.
Timothy
Ireland, (2012) apresenta um esgotamento do atual modelo de EJA como modelo
estritamente escolar, inflexível e compensatório apontando objetivos maiores
que a alfabetização, pois para ele a
alfabetização é fundamental mas não única.
Temos duas diferentes demandas de atendimento na EJA com
diferentes objetivos que exigem a construção de currículo diferenciado.
Há, no parecer de Oliveira, (2009) um problema que perpassa a dicotomia entre
alfabetização e escolarização, que precisa ser considerada nas discussões sobre
a EJA, pois as diretrizes curriculares estabelecem necessidades de formulação
de projetos pedagógicos próprios e específicos para EJA e inserir a compreensão
da educação ao longo da vida.
Temos também o desafio de captar uma demanda grande de analfabetos
da cidade de Campinas, pois segundo IBGE 2010 chegam a 28.442 e 158.000 aqueles
que não terminaram o ensino médio. Porém esses analfabetos não procuram a
escola. Esse fato não tem sido somente uma realidade da cidade de Campinas e
esses dados em relação ao país tornam-se ainda mais alarmante.
O censo de 2010, aponta que há 57,7 milhões de pessoas com mais de
18 anos que não frequentam a escola e não têm o ensino fundamental completo. E
que deveriam estar sendo atendidas pela Educação de Jovens e Adultos. Contudo, o número de matrículas na EJA, em
2010, não alcança os 2.900.000. É preocupante como ainda se
mantém a exclusão social e escolar em nosso país em pleno desenvolvimento
econômico: milhares de pessoas estão fora do mercado de trabalho por falta de
conhecimentos e habilidades adequadas, que lhes capacitem a entrar ou a se
manterem nesse, e excluídos de outras possibilidades de inclusão,
constituindo-se em grupos de alta vulnerabilidade social (MTE, 2010).
Torna-se um grande desafio trazer uma demanda existente para
ser alfabetizada, evitar o número de
evasão escolar, garantir minimamente uma formação continuada para os
professores que chegam a EJA com todo repertório de uma educação voltada à
alfabetização de crianças.
A FUMEC atende a uma clientela bastante diversificada quanto à
faixa etária tanto àqueles que foram excluídos da escola, ou que nunca puderam
ter acesso a ela, como os deficientes,
que muitas vezes foram recusados na escola regular, e os indivíduos da terceira
idade, que vêm realizar o sonho de estar na escola e também em Projeto especial
dentro de instituições de reabilitação para dependentes químicos, para
moradores de rua, pacientes da saúde mental, etc...
OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO
DE JOVENS E ADULTOS: CAMINHO DE INCLUSÃO
PARA ALÉM DA
ESCOLARIZAÇÃO
A Fundação Municipal para Educação
Comunitária- FUMEC vem desenvolvendo um trabalho de alfabetização de Jovens e
Adultos e de qualificação profissional, atendendo a população mais carente, da
periferia da cidade, abrindo salas de aula nos locais onde é solicitado por
professores e alunos da EJA. Contando
com cinco núcleos descentralizados, coordenando os 130 locais hoje existentes,
com 230 turmas funcionando em três períodos, atende-se por volta de 3.000
alunos. Praticamente 70% das salas estão fora dos muros da escola, ocupando
espaços comunitários, igrejas, associações, etc...
Os
profissionais da FUMEC sempre foram mais acolhidos nos espaços comunitários do
que propriamente nas escolas públicas. E nesses espaços pode-se atender
devidamente essa clientela no bairro
onde residem.
Essa
inserção na comunidade, além da escola caracteriza uma perspectiva de educação sociocomunitária que já tem uma história sólida e
reconhecida em outros países e aqui no Brasil, ainda se luta por reconhecimento.
Ela entra no cenário brasileiro mais fortemente na década de 1960,
com Paulo Freire nos moldes da educação popular numa proposta educacional
essencialmente humanista. Valoriza em primeiro lugar a formação integral do
homem, sua cultura, emancipando os
sujeitos para a transformação da sociedade e sua ênfase
política recai principalmente sobre os direitos dos oprimidos ao conhecimento
respeitando os seus valores, interesses,
necessidades sociais, culturais e políticas.
A
preocupação da verdadeira educação sociocomunitária está com os modos das
intervenções educacionais, para discutir o tipo de sociedade e cidadão que se
deseja “estabelecer”.
Com a diversidade de situações e com o avanço tecnológico de um mundo globalizado, a exclusão social
vem se reafirmando e tomando dimensões cada vez mais complicadas, pois os
conflitos sociais também se avolumam chegando ao ambiente escolar. Diante de um
quadro de destruição social, violação dos direitos humanos e condições
precárias quanto a projetos políticos, diversidades de interesses os sujeitos
ficam muito vulneráveis para viver dentro das regras competitivas e injustas da
vida social. O campo educacional traz a contradição entre a transformação e a
reprodução, e hoje se configura numa
necessidade de reorganizar a sociedade numa organização da própria vida dos
sujeitos.
As
propostas assistencialistas não atendem às necessidades desses indivíduos que
são contemplados com leis que não são entendidas e executadas como via de fato.
Não se exploram as todas as suas possibilidades como um meio de reinserção
social e é somente no campo educacional
que conseguimos minimamente a emancipação e autonomia desses sujeitos.
Esse campo
da educação sociocomunitária é muito amplo, pois a educação escolar e familiar
tem deixado muitas brechas quanto a formação
do cidadão, se fazendo necessárias intervenções emergenciais e decisivas e
percebe-se o campo vasto de estudo e de discussões que a envolve.
Hoje, já se
traça novos rumos para EJA, em que se aponta para um trabalho efetivo de
Educação sociocomunitária, para além da escolarização. Cabe abordar aqui um
trecho tirado do documento Preparatório a VI CONFITEA Conferência Internacional
de Educação de Adultos, para legitimar todo trabalho que estamos hoje fazendo
dentro da FUMEC.
Há um a concepção ampliada de Educação de Jovens e Adultos que
entende educação pública e gratuita como direito universal de aprender, de
ampliar e partilhar conhecimentos e saberes acumulados ao longo da vida, e não
apenas de se escolarizar.
Tratar a EJA como direito reafirma a Declaração
Universal dos Direitos Humanos. O direito a educação para todos segundo a
Constituição Federal põe por terra a lógica de oferta de atendimento como
“oportunidade ou chance” mas como direito
inquestionável para Ed. De Jovens e Adultos. Esse direito pressupõe um
trabalho que garanta acesso, elaboração
e reconstrução de saberes que contribuam para a humanização e emancipação do
ser humano. (VI CONFITEA, 2009, grifo nosso)
A questão do tempo em EJA esbarra em alguns
fatores de grande relevância, aos quais
cabe uma discussão mais aprofundada.
Tudo começa com a questão da formação do
professor que não é contemplado com disciplinas específicas de EJA e não
compreendem o processo de aprendizagem diferenciado do adulto adaptando
metodologias infantis. Em toda rede de ensino encontramos poucos professores
capacitados metodologicamente para serem alfabetizadores de fato e quando se
trata do aluno adulto o problema se torna ainda mais complexo.
Igualmente, é essencial
que a modalidade de EJA, seja fundamental ou médio, reconheça os diferentes
tempos e espaços dos seus educandos. Na EJA, precisamos ter clareza sobre quem
são os sujeitos do processo de ensino-aprendizagem e quais os seus interesses,
necessidades e demandas em termos de tempos e formatos de estudo. Em outras
palavras, a EJA precisa de um projeto pedagógico específico pensado a partir da
realidade do educando que procura a garantia do seu direito à educação. (Maria
Clara de Pierro, 2012).
O tempo de aprendizagem desse aluno adulto que
não teve acesso à escola ou saíram dela como fracassados e expulsos é bem maior,
pois se torna desafiador para o educador fazer com que esse educando passe a
acreditar em suas próprias possibilidades.
O jovem e adulto pode ter mais dificuldade inicialmente em
aprender novos conhecimentos e processos porque está afastado a tempo de
processos mais formais, sistemáticos e organizados de aprendizagem, mas não
existe nenhum impedimento neurológico para que continue o seu processo de
aprendizagem. Aprender também é uma disciplina que precisa ser aprendida ou
re-aprendida e que custa trabalho. Muitos adultos reclamam no começo que o
estudo faz a cabeça doer. É igual como quando re-tomamos a atividade física
depois de um período sem nos exercitar, o corpo dói! (Maria Clara Pietro, 2012)
Já se percebe que a EJA tem uma especificidade
que necessita flexibilizar tempos, modos e espaços para que todos possam ser
efetivamente incluídos nesse processo educacional e na reconstrução dos saberes
um currículo para além da escolarização.
Para uma inserção autônoma e criativa nesse universo, são
necessários processos mais alongados de escolarização. A diversidade abrange
jeitos de ser, viver, pensar, agir, que se enfrentam.
A EJA a partir de suas diferenças se volta para uma proposta que
inclua todas as suas expectativas e se volta para a formação humana num projeto
para dar conta de suas necessidades, desejos, resistências e utopias.
A EJA, na medida em que se afirma a igualdade de todos como
sujeito de direito, nega a forma de pensar de uns valem mais do que os outros,
enfrentando as desigualdades como desafios a serem superados pela sociedade
brasileira. Potencializar a
diversidade na educação pode contribuir para a transformação social e para a
formulação e execução de propostas educativas em que esses sujeitos de energia,
imaginação e criatividade estejam no centro, com seus desejos, necessidades e
expectativas de educação, cultura, saberes e práticas – um dos meios
imprescindíveis à humanização não só de suas vidas, como toda sociedade
brasileira. A diversidade
transformada em desigualdade tem assumido um duro papel para a cidadania em
toda a história brasileira. (VI CONFITEA, 2009, grifo nosso)
A diversidade implica em especificidades no atendimento aos
adolescentes no período de tratamento ao uso das drogas que estão
impossibilitados de frequentar a escola, adolescentes em liberdade assistida,
doentes mentais impossibilitados de frequentar a salas de aula devido ao tipo
de transtorno, presidiários que estão em regime semiaberto, locais de abrigo a
adolescentes, idosos, moradores de rua, portadores do vírus HIV e outros.
Para além dos instituídos, cabe instituir tempos e espaços outros
de forma a atender a diversidade de modos pelos quais jovens e adultos podem
estar na escola, sem acelerar ou aligeirar processos de aprendizagem dos
educandos, mas ampliando e socializando saberes. São as necessidades da
vida, desejos a realizar, metas a cumprir que ditam as disposições desses
sujeitos e, por isso, a importância de organizar e assegurar tempos e espaços flexíveis, em todos os
segmentos, garantindo o direito á educação e aprendizagens ao longo da vida. (VI CONFITEA, 2009, grifo nosso)
A questão da “terminalidade”
é um processo necessário e sabemos bem que o aluno não deve sair da
FUMEC somente mediante ao “atestado de óbito”, mas não há ações concretas do
poder publico, ONGs e associações em abrir possibilidade de garantir uma educação ao longo da vida junto ás
comunidades da periferia. O problema educacional não se resolve com
ações assistencialistas no sentido de ocupar o tempo dos sujeitos com
atividades de lazer, artesanatos e oficinas, mas ativar aquilo que se entende
por uma formação e educação ao longo da vida para criação de espaços
específicos com educadores preparados.
Quem vem cumprindo esse papel até hoje no
município de Campinas é somente a FUMEC que está nos espaços sociais mais em
termos educacionais, no sentido de garantir através da educação uma qualidade
de vida dos sujeitos e tem sido única nesse atendimento que abre para outras possibilidades
de formação e informação.
A sociedade
não tem cumprido o seu papel em relação à educação, a administração pública não
resolve ou minimiza os problemas aparentes e os sistemas educacionais têm
apresentado um modelo excludente, que acaba tendo seus reflexos sociais,
aumentando as responsabilidades da EJA, que fica com o atendimento dessa demanda dos marginalizados sociais.
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| A sociedade condena aqueles que são diferentes, não respeitando a alteridade ao fracasso escolar, consequentemente, serão marginalizados e irão cobrar por esta decisão social através da violência. |
É preocupante para o quadro de
exclusão social crônica que flagela
a população brasileira,
principalmente aqueles segmentos que historicamente têm sido alvo dos processos de expropriação social, cultural e econômica que têm garantido ao Brasil posição nada invejável nos indicadores de desigualdade e injustiça social.
Há um desafio de se criar programas e
políticas públicas mais consistentes e duradouras, que possam ser capazes de romper com o círculo vicioso que se estabelece entre a
insuficiente escolarização, a dificuldade de
inserção no mundo de trabalho e
os processos de exclusão social.
É necessário que essas políticas
públicas sejam capazes de dar respostas consistentes a esses problemas crônicos Não é por outra razão que se pode dizer que a juventude frequentemente é vista como
o grupo de mais alta vulnerabilidade social, merecedora
de uma maior atenção e preocupação.
O modelo de alfabetização- e de ensino- que prevalece em nosso sistema escolar se caracteriza por priorizar um
determinado padrão de conhecimento – aquele da cultura escolar formal-, assumindo-o como absoluto, e em si mesmo capaz de reverter situações de
“desvantagens” culturais, econômicas e sociais.
Sem negar a importância que o conhecimento formal tem para o
desenvolvimento dos indivíduos e suas comunidades, se faz necessário discutir o
caráter de hegemonia, que esse conhecimento assume ao ser colocado, em especial
pelo processo de escolarização, como o único que deve ser socialmente validado.
É a partir dessa perspectiva, que ignora a subjetividade epistêmica e
epistemológica dos aprendentes, desconsiderando o peso que tradições culturais
populares, crenças, modos de conceber a vida e de organizá-la têm nos processos
de aprendizagem, que a exclusão se instaura.
O termo “novos
estudos sobre o letramento” identifica uma corrente teórica que encampa
concepções inter e multidisciplinares sobre o processo de aprendizagem da
leitura, escrita e matemática, tomando por fundamentos a sociolinguística, as
ciências cognitivas, a história, a antropologia, a psicologia
histórico-cultural e a pedagogia para a autonomia (ver STREET, 1984).
Contrapondo-se ao “modelo autônomo” da alfabetização/conhecimento os novos
estudos sobre o letramento defendem uma compreensão desses “em termos de
práticas sociais concretas e teoriza-as em termos das ideologias nas quais diferentes
alfabetizações estão imersas” (GEE, 2008, p. 80). A preocupação está posta
em indagar, continuamente, o que significa ser/estar letrado em relação às
práticas sociais, que permeiam e interpenetram o cotidiano dos diversos grupos,
que compõem a sociedade; questionando quais dessas são dominantes, quais vem
sendo marginalizadas e quais vêm se mostrando resilientes (STREET, 2003). Isso
significa reconhecer que a alfabetização não tem um caráter unimodal, mas,
contrariamente, que há múltiplas alfabetizações, as quais se conjugam e
se modificam de acordo com o tempo, o espaço, os anseios dos sujeitos, os
recursos tecnológicos, as possibilidades econômicas e as relações de poder
vigentes num grupo social. (Bissoto e Guimarães,
2011 p. 182)
Para além da escolarização temos
desafios a travar que dizem respeito à educação. Outras formas de analfabetismo
a combater.
São
três os analfabetismos por derrotar hoje: O da lecto-escritura (saber ler e
escrever), o sócio cultural (saber em que tipo de sociedade se vive, p.ex.,
saber o que são mecanismos de mercado), e o tecnológico (saber interagir com
máquinas complexas). Toda escola incompetente em algum desses aspectos é
socialmente retrógrada; (Asmann, 1998, p.32)
Poderíamos acrescentar Saber
valorizar-se no que se refere à autoestima saber se comunicar fazendo uso dos diferentes tipos de linguagem e
de todas as formas possíveis para devolver aos silenciados a expressão e a voz
possibilitando uma maior participação
social. Saber conviver, pois nas
regras sociais vigentes e nas diferenças étnicas, culturais, religiosas,
resgatando valores de respeito, tolerância, cooperação vencendo a
competitividade Saber decidir- no que
se refere ao poder decisório e a autonomia dos sujeitos. Saber preservar no que se refere a educação ambiental e sustentabilidade. Saber se cuidar no que se refere à
saúde, Saber consumir no que diz
respeito a educação para o consumo consciente.. SABER prevenir no que se refere
prevenção de acidentes. Saber
reivindicar- no que se refere aos direitos, etc...
A função de EJA, hoje, segundo, Maria Clara de Pierro, 2012 em
entrevista para a Revista Nova Escola:
A VI
Confintea, realizada em Belém do Pará, em dezembro de 2009, deixa claro o
sentido amplo da aprendizagem ao longo da vida como “um marco conceitual e um
principio organizador de todas as formas de educação, baseada em valores
inclusivos, emancipatórios, humanistas e democráticos, sendo abrangente e parte
integrante da visão de uma sociedade do conhecimento”. No sentido amplo, o
conhecido Relatório Delors, reafirmou quatro funções ou pilares da
aprendizagem: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender
a conviver com os outros.
Há no documento aprovado
pela Conferência Mundial sobre Educação para Todos -Jomtien, Tailândia -5 a 9
de março de 1990 um artigo que vem expandir o enfoque da educação
especificamente no artigo 2.
Entendendo que a educação pode contribuir para conquistar um mundo
mais seguro, mais sadio, mais próspero e ambientalmente mais puro, e que, ao
mesmo tempo, favoreça o progresso social, econômico e cultural, a tolerância e
a cooperação internacional;
Sabendo que a educação, embora não seja condição suficiente, é de
importância fundamental para o progresso pessoal e social.
Artigo 2 - EXPANDIR O ENFOQUE
Lutar pela satisfação das
necessidades básicas de aprendizagem para todos exige mais do que a ratificação
do compromisso pela educação básica. É
necessário um enfoque abrangente, capaz de ir além dos níveis atuais de
recursos, das estruturas institucionais, dos currículos e dos sistemas
convencionais de ensino, para construir sobre a base do que há de melhor nas
práticas correntes. (Jomtien, Tailândia, 1990)
Na LDB CAP V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL-
traz uma possibilidade de garantir uma organização específica para o
atendimento a grande diversidade encontrada na EJA.
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta
Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede
regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
necessidades especiais:
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicas, para atender
às necessidades;
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado,
na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação
especial.
§ 2º O atendimento
educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre
que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua
integração nas classes comuns de ensino regular.
Nesse
parágrafo se justifica a existência de Projetos Especiais de atendimento a
clientela impossibilitada de frequentar a escola.
Seção V Da Educação de Jovens e Adultos
Art. 37. A educação de jovens e adultos
será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no
ensino fundamental e médio na idade própria.
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a
permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si.
Título III Do direito á Ed. e do dever de
Educar.
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos
com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino;
VII - oferta de educação
escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e
disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de
acesso e permanência na escola;
DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção
I
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais,
períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos
não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre
que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.
Percebe-se que em Curitiba há uma
forma mais flexibilizada de organizar a EJA com um sistema informatizado
somente para assegurar as informações básicas dos dados dos alunos bem como sua
avaliação pedagógica não há uma preocupação com tempo nem mesmo se cumpre os
200 dias letivos.
Assim, os princípios da contextualização e do reconhecimento de
identidades pessoais e das diversidades coletivas constituem-se em diretrizes
nacionais dos conteúdos curriculares. A EJA é um espaço importante para a
reconstrução das experiências da vida ativa e para ressignificar os
conhecimentos adquiridos na ‘escola da vida’ e articulá-los com os saberes
aprendidos na escola. Representa uma forma de validar e reconhecer as
aprendizagens não-escolares e, ao mesmo tempo, articular escola e vida. (Maria
Clara de Pierro, 2012)
Temos também que ter uma preocupação de atendimento diferenciado e
especializado aos idosos institucionalizados ou não. Segundo o documento da CONFINTEA, 2009:
Idosos começam a representar um número bastante significativo na
população brasileira e tenderão a representar cada dia mais, face ao aumento da
expectativa de vida (vive-se mais, portanto) e ao envelhecimento considerável
de um significativo contingente de população. Em decorrência dessas
constatações, o Brasil hoje começa a compreender a importância de se preocupar
com a qualidade de vida e com os direitos dos brasileiros com 60 anos e mais,
como expressa, por exemplo, a aprovação do Estatuto do Idoso em 2003. Por um lado, a existência de idosos que não
se escolarizaram, ou nem se alfabetizaram no país; por outro, a concepção do
aprender por toda a vida, exigem repensar políticas públicas que valorizem
saberes da experiência dos que, não mais vinculados ao trabalho, podem
continuar contribuindo para a produção cultural, material e imaterial da nação
brasileira, com dignidade e autonomia, mudando-se a tendência histórica de
relegá-los ao ócio e a atividades pouco criativas e que não possibilitam
assumir compromissos sociais com o legado de uma vida, na transmissão da
herança cultural. (grifo nosso)
Jovens e adultos que não tiveram acesso à escola, ou não
concluíram sua escolarização na época estabelecida pelos sistemas educacionais,
apresentam dificuldades em iniciar ou prosseguir os seus estudos, sendo
discriminados e excluídos socialmente.
[...]
Uma sociedade onde caibam todos só será possível num mundo no qual caibam
muitos mundos. A Educação se confronta com essa apaixonante tarefa: formar
seres humanos para os quais a criatividade e a ternura sejam necessidades
vivenciais e elementos definidores dos sonhos de felicidade individual e
social, (Asmann, 1998, p. 29).
Gonçalves,
2009 aponta para as práticas não escolares como um processo de inclusão social
e educacional de pessoas jovens, adultas e idosas. A Proposta de Inserção de parcelas da
população até então postas à margem da sociedade e da educação tendo por
objetivo desenvolver com essa população estratégias de apropriação do mundo e
construir caminhos coletivos de transformação.
O autor vê a Educação permanente de base comunitária incluindo
modalidades formais e não formais como um meio de se formar para a vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para se fazer um atendimento efetivo
na Educação de Jovens e Adultos se requer não somente um bom trabalho de
divulgação nas grandes mídias, mas políticas publicas que atrelem ações e
secretarias para a captação dessa demanda existente.
Uma vez captada a demanda precisa voltar-se
para a formação continuada desse educador no sentido de reformulação e
reorganização dos saberes necessários a cada clientela
específica que busca a escola com diferentes finalidades.
A educação precisa ter em vista a
emancipação, autonomia e qualidade de vida dos sujeitos e não somente para a
sua reinserção no mercado de trabalho.
Na
proposta de Paulo Freire a educação tem um caráter emancipatório, visando à
construção da autonomia, de participação e criticidade, numa valorização tanto
da cultura popular como daquela culta, para que o educando, em posse do
conhecimento, tome posse de si mesmo e do mundo( Freire, 1978) e isso significa
também tomar posse do mundo do trabalho, compreendido esse não como qualquer
ocupação que garanta condições de sobrevivência, mas como profissão: projeto de
vida, de que-fazer produtor de sentidos. (Bissoto e Guimarães, 2011, p. 172)
A elaboração de Projetos para o atendimento de demandas
específicas com um trabalho efetivo que vai para além da escolarização formando
os sujeitos para a vida, a independência, a valorização cultural, a
reconstrução de metas e projetos de vida, valores humanos e relações
interpessoais e a construção de uma representação de si mesmo e do mundo do
qual é parte. Que nesse processo ele desvele criticamente o sentido e o significado de sua presença diante do
mundo, dos outros homens e de si mesmo, ampliando as possibilidades de
convivência, socialização e organização de forma que possam exercer o seu papel
de pessoa humana e cidadão.
Através de uma contextualização de sua realidade,
problematizando-a ele pode se distanciar e criticar as múltiplas determinações
de sua circunstância pessoal e social, como de sua própria história.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
ASMANN,
Hugo “Reencantar a Educação” 1998
BISSOTO,
M.L. e GUIMARAES, V.C. “Analfabetismo Funcional, empregabilidade e Exclusão
social” In Pedagogia social: Educação e Trabalho na Perspectiva da Pedagogia
Social –São Paulo- Expressão e Arte Editora vol. 4, 2011.
GONÇALVES,
Luiz Gonzaga “Práticas Não escolares e Inclusão” In Salto para o Futuro Educação ao longo da
vida, Ministério da Educação Ano XIX nº 11 setembro de 2009 ISSN 1982-0283
OLIVEIRA,
Ivanilde Apoluceno “ Educação de Jovens e Adultos e Idosos” In Salto para o Futuro Educação ao longo da
vida, Ministério da Educação Ano XIX nº 11 setembro de 2009 ISSN 1982-0283
Entrevistas
da TVescola: Ireland, Timoty e Pierro,
Maria Clara.
In fonte:
htpp://revistaescola.abril.com.br/pliticas-publicas/modalidades/eja-tem-agora-objetivos-maiores-alfabetização-476424.shtml
Documentos:
VI Conferência Internacional de
Educação de Adultos – CONFITEA, 2009
Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das
necessidades básicas de aprendizagem Jomtien, Tailândia, 1990 ED/90/CONF/205/1 UNESCO 1998
Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
As Gramáticas da Língua Falada versus Língua Escrita: Um estudo de abordagem multicultural e de cunho poético e de investigações, com reflexões acerca da real possibilidade de se fazer nascer uma pedagogia dialógica de matiz poiética, sob a linha educacional da educação sociocomunitária no processo ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa, seguindo os atuais Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) nos Ensinos Fundamental e Médio
Gostaria de compartilhar este esboço de meu trabalho de Mestrado, o resumo - abstract - para que tenham uma ideia do que me espera!
Palavras-chave:
Linguagem – Educação Multicultural e Sociocomunitária – PCNs – Pedagogia
dialógica de matiz poiética.
![]() |
| A dicotomia entre Língua Falada e Escrita deveria ser minimizada, pois uma depende da outra. |
RESUMO:
O
objetivo deste trabalho é discutir como, no processo ensino/aprendizagem,
preconizado pelas atuais políticas públicas educacionais brasileiras, através
dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), entre língua falada e língua escrita,
mesmo sugerindo que a ênfase deveria ser pela primeira, constata-se que a
preferência nas escolas e sistema educacional é pelo ensino da segunda. Por
meio de um levantamento bibliográfico, assim como de pesquisa qualitativa com
base na Pesquisa Participante, utilizando-se como instrumentos de coleta de
dados entrevistas e questionários -
atinente ao tema – língua falada e língua escrita – procurar-se-á levantar hipóteses das razões ideológicas que
levam a esta preferência. A relevância deste tema justifica-se por se viver em
um mundo e escola pós-modernos, multiculturalistas, que devem priorizar aceitar o diferente, fomentar a
alteridade, e, neste estudo, a alteridade se consubstancia pelo falar diferente
que os alunos trazem às escolas públicas. Espera-se que a escola aceite as
recomendações dos PCNs, ao partir para um ensino da língua materna do falar
trazido pela cliente popular ao interior da mesma, através da dialogicidade.
Busca-se em um primeiro momento compor o trabalho com o referencial teórico
bibliográfico e também interpretar os
dados colhidos através de abordagem multicultural e de cunho poético e de investigações,
com reflexões acerca da real possibilidade de se fazer nascer uma pedagogia
dialógica de matiz poiética, sob a linha educacional da educação
sociocomunitária no processo ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa.
FAUSTO E A MODERNIDADE EM JOHANN WOLFGANG VON GOETHE
![]() |
| O poema Fausto de Goethe instaurou, em certa medida, o início do Modernismo no mundo ocidental. |
Estou pensando em escrever um artigo sobre a MODERNIDADE SOB A VISÃO DO GRANDE FILÓSOFO E ESCRITOR JOHANN WOLFGANG VON GOETHE. Este será meu próximo desafio. Sabemos que este escritor foi um precursor do Modernismo, especialmente com sua obra FAUSTO, na qual se sentem sinais claros da modernidade, que gostaria de analisar e estudar com mais profundidade. Pouco se fala deste vínculo e desta forte percepção, razão pela qual deve-se investir neste campo para estudá-lo melhor e tentar entender este nosso período do Pós-Modernismo.
BULLYING E FRACASSO ESCOLAR: CARACTERÍSTICAS E INTERVENÇÕES NO PROCESSO ENSINO/APRENDIZAGEM
Bom dia! Gostaria de compartilhar outro artigo que escrevi e que diz muito com relação à linguagem, desta vez com a linguagem da alteridade, do respeito para com o diferente que encontramos na vida acadêmica. Infelizmente, este respeito não existe, o que redunda em consequências terríveis, tais como o massacre do Realengo (RJ) em 2011. Pensando neste tema, e, como TCC final, elaborei o seguinte trabalho:
TÍTULO: BULLYING E FRACASSO ESCOLAR -
CARACTERISTICAS E INTERVENÇÕES
![]() |
| Uma das consequências do bullying é o fracasso escolar |
TÍTULO: BULLYING E FRACASSO ESCOLAR -
CARACTERISTICAS E INTERVENÇÕES
TITLE: BULLYING AND
SCHOOLING FAILURE – CHARACTERISTICS AND INTERVENTIONS
RESUMO
A
agressividade entre alunos, atualmente estudada como fenômeno bullying, é um mal que ocorre em instituições
educacionais do mundo todo. Não obstante ser um fenômeno antigo foi
negligenciado tanto no ambiente escolar, como no ambiente familiar, e vem
granjeando destaque ultimamente nas pesquisas educacionais. O objetivo deste
trabalho, entendido como Artigo Científico de Revisão Bibliográfica, foi identificar, analisar o que se tem
produzido cientificamente no concernente ao Bullying,
entendido como fenômeno de agressividade no ambiente escolar, associado ao
Fracasso Escolar. Pretendeu-se, ainda, ao estudá-lo em sua gênese, e em sua
tipologia, alertar educadores e pais para o tratamento e prevenção deste
fenômeno, que é um mal e que desencadeia sérios problemas no aprendizado dos
educandos, levando-os ao Fracasso Escolar. Assim, verificou-se a relevância do
tema, especialmente pelas suas consequências dramáticas e funestas, que apontam
para a necessária intervenção imediata de familiares e profissionais da
educação.
Palavras-chave:
Violência
escolar. Bullying. Fracasso Escolar.
ABSTRACT:
Agressivity, amongst students, is being studied as a
fenomenon known as bullying. It happens all over the schools of the world.
Notwithstanding is an old fenomenon, it was neglected as much inside the school
environment as in the families. It has been attracting spot-light lately on
educational researches. This paper, understood as a Scientific Article of
Bibliographical Review, objects to identify, analyse what has been
scientifically done concerning to Bullying, understood as a agressivity
fenomenon inside the school environment, associated with Schooling Failure. It
was still intended to study it in its early genesis, in its typology, to warn
Educators and parents to the right treatment and prevention of this fenomenon,
which is a wicked symptom of the present time and breaks out serious problems
on the students Learning, carrying them to
Schooling Failure.It is shown the fenomenon characterization, its consequences
for the players on the problem, the teachers and parents role in facing the
problem (bullying) and ways to cope with it in order to neutralize its
consequences into the school. In order to write this paper it was used, as data
resources, articles and texts located in libraries, scientific literature data
base and relevant internet pages.
Key-Words: School Violence. Bullying. Schooling Failure.
Introdução
Segundo Lopes Neto, em seu artigo "Bullying
- Comportamento Agressivo entre Estudantes" (2005), a violência é um
problema de saúde pública importante e crescente no mundo, com sérias
consequências individuais e sociais, particularmente entre jovens. Ora, o autor
procurou trabalhar o termo ‘violência escolar’ no que
diz respeito a todos os comportamentos agressivos e anti-sociais,
incluindo os conflitos interpessoais, danos ao patrimônio, atos
criminosos, etc. Muitas dessas situações dependem de fatores externos,
cujas intervenções podem estar além da competência e capacidade das entidades
de ensino e de seus funcionários. Porém, para um sem número delas, a
solução possível pode ser obtida no próprio ambiente escolar. O autor
define o termo bullying, como produto e materialização dessa violência escolar, e nos traz dados estatísticos da ABRAPIA (Associação
Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência).
Outros
autores que foram mencionados no presente estudo são Menezes e Castelo Branco,
no trabalho acadêmico intitulado "Estudo do fenômeno do Bullying e
suas repercussões sócio-educacionais" (2008), no qual os autores analisaram
a agressividade como fator que ocorre nas instituições escolares de todo o
mundo e é tão antigo quanto a própria escola. Também definiram e delimitaram o
fenômeno bullying, dando exemplos de
casos que foram utilizados no presente trabalho, dando, também, as implicações sócio-educacionais tanto para
os praticantes como para os que sofrem o bullying.
Enfatizaram o papel da Educação enquanto agente coibidor de tal prática,
mediando, intercedendo em favor da vítima de bullying para debelar tal mal.
Nesse
contexto, objetivou-se fazer um estudo tomando por base a historicização do bullying, sendo certo que se estudaram
dois itens principais, devido à extensão do tema e pelo fato de se ter como
objetivo ater à sua ligação com o ambiente escolar, ou seja, quais as
características e intervenções que a Escola pode fazer para evitar que o Bullying seja fator de Fracasso Escolar:
a) histórico do bullying (características, termos,
aspectos psicológicos) e situação em outros países;
b) papel da Escola frente a esse
desafio – bullying. Os educadores
estão preparados para enfrentar esse problema? Qual a formação, base teórica
que eles recebem para contornar e vencer esse mal?
c) como prevenir o Fracasso
Escolar, sabendo que tal fenômeno pode e deve ser evitado a todo custo?
![]() |
| A discriminação entre jovens é meio passo para um adulto que usa da assimetria do poder, querendo se impor a tudo e a todos. |
Este
estudo se justificou pelo fato de que se vive em uma sociedade violenta,
opressora, na qual o mais forte tanto fisica como economicamente prepondera,
achaca o semelhante, não respeitando o direito alheio de ser diferente, de ter
sua própria individualidade e personalidade. Ora, nesse contexto, escolheu-se o
tema que se desenvolve através do presente Artigo Científico de Revisão
Bibliográfica. Devido ao fato de o problema ser recente, pelo menos no que
tange ao afloramento e denúncia da sociedade quanto a isso, tal pesquisa se
justificou, na medida em que tentou desvendar e desvelar os meandros do mesmo,
ou seja, historicizar, situacionar dentro do contexto escolar tal, fato este
que não interessa à sociedade atual, que visa sempre o sucesso do aluno.
Assim
sendo, tal pesquisa foi de suma importância, pois ajudará educadores, e outros
interessados no saneamento do problema ora debatido a entendê-lo melhor para
extirpá-lo, ou, pelo menos, minimizá-lo de nossa sociedade.
Uma retrospectiva sobre o Fenômeno Bullying
O
fenômeno conhecido como bullying
sempre ocorreu no decorrer da História humana, todavia, foi somente em meados
do século passado (XX) que pesquisadores, estudiosos se debruçaram para tentar
deslindar esse fenômeno que tanto mal traz para a sociedade humana, tanto no aspecto
interpessoal como no familiar e escolar.
Afinal,
o que significa tal vocábulo? Pode-se dizer que sempre houve estudos sobre as
influências do ambiente escolar e dos sistemas educacionais sobre o desenvolvimento
acadêmico do jovem (LOPES NETO, 2005), todavia, o fenômeno bullying, que ocorre no ambiente escolar, foi estudado tão somente
a partir de 1990, visto que a agressividade nas escolas é um problema universal
que estava tomando proporções desmedidas e inaceitáveis no presente tempo.
Pode-se definir bullying como um fenômeno que compreende todas as atitudes
agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente,
adotadas por um ou mais estudante contra outro(s), causando dor e angústia,
sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder (LOPES NETO, 2005). Na
verdade, o que ocorre é uma assimetria de
poder, no qual alguém mais forte tanto fisica como psicologicamente falando,
exerce violência contra outro.
Digno de nota é ressaltar que essa
assimetria é tradicionalmente admitida como natural, sendo habitualmente
ignorada ou não valorizada, tanto pelos professores quanto pelos pais (LOPES
NETO, 2005). Com tal assertiva pode-se aferir o quanto o fenômeno é pernicioso,
pois ele exerce seu caráter de maneira subreptícia, inoculando em seus agentes
a aceitabilidade, o caráter de normalidade,
não suscitando o contraditório, o questionamento e eliminação deste mal.
Não há dúvida de que a identificação
da violência escolar é um fato tão antigo quanto a própria escola. Ele advém
tanto da violência que se alastra como uma praga na sociedade e que, por sua
vez, acaba contaminando as instituições escolares sejam elas públicas ou
privadas, como também pode ser gerado por fatores internos, ou seja, nasce do
próprio ambiente pedagógico a partir da relação entre sujeitos (MENEZES,
CASTELO BRANCO, 2008).
O termo violência é muito abrangente,
pois contempla uma ampla gama de comportamentos como agressão, bullying, intimidação, ameaça, ofensa à
integridade, combate, roubo e vandalismo. Estas ações podem ocorrer dentro ou
fora das escolas, e entre diferentes díades, ou seja, aluno-aluno,
professor-aluno. Também o corpo administrativo escolar, ex-alunos e outras
pessoas que não pertencem à escola, podem ser envolvidos, quer como vítimas, ou
como agentes (CARVALHOSA, MOLEIRO & SALES, 2009).
O vocábulo bullying foi adotado universalmente em decorrência da dificuldade
em traduzi-lo para as diversas línguas. No transcorrer da Conferência
Internacional Online School Bullying and
Violence, de maio a junho de 2005, ficou caracterizado que o amplo conceito
dado à palavra bullying dificulta a
identificação de um termo nativo correspondente em países como Alemanha,
França, Espanha, Portugal e Brasil, entre outros (Visionary-net. School
Bullying and violence. 2005
may 4- jun 3. www.conference.bullying-in-school.info.
Acesso em 30.06.11).
Geralmente considerada como violência
no contexto escolar, um grande número de estudos teve como ponto de partida
para análise, a indisciplina, a agressão (COSTA & VALE, 1998 apud NEGREIROS, 2003), e o bullying. No presente trabalho, frise-se, centrou-se apenas no
fenômeno bullying.
As pesquisas sobre bullying são recentes e ganharam destaque a partir dos anos 1990,
principalmente com Olweus, 1993; Smith & Sharp, 1994; Ross, 1996; Rigby,
1996 (apud LOPES NETO, 2005). Segundo o autor, estudos indicaram que a
prevalência de estudantes vitimizados varia de 8 a 46%, e de agressores, de 5 a
30%.
De acordo com a definição proposta por Dan
Olweus, o bullying envolve intencionalidade do comportamento, a repetição ao
longo do tempo e o abuso de poder entre pares (alunos) (OLWEUS, 1993). As ações
negativas podem ser verbais, como, por exemplo, ridicularizar alguém; físicas,
como, por exemplo, bater em alguém, ou sociais, como, por exemplo, excluir
socialmente (CARVALHOSA, MOLEIRO & SALES, 2009).
Dentro do contexto escolar brasileiro,
a escola sempre foi vista como um local de aprendizado, avaliando-se o
desempenho dos alunos com base nas notas dos testes de conhecimento e no
cumprimento de tarefas acadêmicas. Entrementes, existem três (03) documentos
legais que formam a base de entendimento com relação ao desenvolvimento e
educação de crianças e adolescentes: a Constituição
da República Federativa do Brasil, o
Estatuto da Criança e do Adolescente e a Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas.
Em todos esses diplomas legais se encontram previstos direitos ao respeito
e à dignidade, sendo a educação entendida como um meio de prover o pleno
desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania (LOPES
NETO, 2005).
Dentro deste contexto, sempre se
desejou que as escolas fossem ambientes seguros e saudáveis, nos quais as
crianças e adolescentes pudessem desenvolver, ao máximo, os seus potenciais
intelectuais e sociais. Portanto, não se pode admitir que sofram violências que
lhes tragam danos físicos e/ou psicológicos, que testemunhem tais fatos e se
calem para que não sejam também agredidos e acabem por achá-los banais ou, pior
ainda, que diante da omissão e tolerância dos adultos, adotem comportamentos
agressivos.
Classificação
O bullying
é classificado como direto, quando as
vítimas são atacadas diretamente, ou indireto,
quando estão ausentes. São considerados bullying
direto os apelidos, agressões físicas, ameaças, roubos, ofensas verbais ou
expressões e gestos que geram mal estar aos alvos. São atos utilizados com uma
frequência quatro vezes maior entre os meninos. O bullying indireto
compreende atitudes de indiferença, isolamento, difamação e negação aos
desejos, sendo mais adotados pelas meninas (NETO AA; SAAVEDRA LH, 2004).
Com o advento de novas técnicas de
comunicação via teleinformática, uma nova forma de bullying tem sido observada com uma frequência cada vez maior no
mundo. Trata-se do uso da tecnologia de informação e comunicação (e-mails, telefones celulares, mensagens
por pagers ou celulares, fotos
digitais, sites pessoais
difamatórios, ações difamatórias online)
como recurso para a adoção de comportamentos deliberados, repetidos e hostis,
de um indivíduo ou grupo, que pretende causar danos a outros (SHROFF PENDLEY,
J.S. Bullying and your child. Disponível
em: <www.kidshealth.org.parent/emotions/bullies.html>. Acesso em 05.08.11) A vitimização
através de telefones celulares foi admitida por 14 a 23 % dos adolescentes
entrevistados em três pesquisas (Idem. Acesso em 05.08.11).
Fatores de Risco
Fatores econômicos, sociais e
culturais, aspectos inatos de temperamento (psicológicos) e influências
familiares, de amigos, da escola e da comunidade, constituem riscos para a
manifestação do bullying e causam
impacto na saúde e desenvolvimento de crianças e adolescentes. (Disponível em:
- www.ldonline.org.ld_indepth/social_skills/preventing_bullying
- acesso em 05.08.11 Acesso em 05.08.11).
O bullying
é mais prevalente entre alunos com idades compreendidas entre 11 e 13 anos,
sendo certo que a incidência é menor entre alunos na educação infantil e ensino
médio. Quanto ao gênero dos agressores, predomina o sexo masculino, enquanto
que no papel de vítima não há diferença entre os gêneros. O fato de predomínio
do sexo masculino entre os agressores, não significa que sejam mais agressivos,
mas tão-somente que têm maior possibilidade de adotar esse tipo de
comportamento. Todavia, quanto à dificuldade em identificar bullying entre meninas, indica que elas
se utilizam de formas mais sutis para praticá-lo.
Levando-se em conta que a maioria dos
atos de bullying são praticados longe
do campo de visão dos adultos, e que grande parte das vítimas não reage ou fala
sobre a agressão sofrida, pode-se entender por que professores e pais têm pouca
percepção do fenômeno, subestimam a sua prevalência e atuam de forma
insuficiente para sua redução e interrupção (ESLEA M.; REES J., 2001). A
ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à
Adolescência) identificou que 51,8% dos autores de bullying admitiram não terem sido advertidos (NETO AA; SAAVEDRA
LH., 2004). A aparente aceitação dos adultos e a consequente sensação de
impunidade favorecem a perpetuação do comportamento agressivo.
Todavia, a redução dos fatores de risco
pode desempenhar um papel preventivo, no sentido de se prevenir o comportamento
agressivo entre crianças e adolescentes. O foco deve ser no sentido de envidar
todos os esforços para diminuir/eliminar a violência dentro do contexto
escolar, doméstico e comunitário, além daquele que a mídia enfoca e tem como
glamour (lutas marciais, filmes violentos, games de
guerra, etc).
Formas de envolvimento
dos estudantes
Tanto as crianças quanto os
adolescentes podem ser classificados, enquanto participantes do fenômeno bullying, como vítimas, agressores ou testemunhas
de acordo com sua atitude diante dessas situações de bullying. É impossível prever qual papel adotará cada aluno, uma
vez que pode ser alterado de acordo com as circunstâncias (DAWKINS, J., 1995).
A metodologia de classificação adotada
pela ABRAPIA prezou pelo cuidado em não rotular previamente os estudantes,
evitando que estes fossem estigmatizados pela comunidade escolar. Desta
maneira, adotaram-se os termos de bullying
(agressor), alvo de bullying (vítima), alvo/autor de bullying
(agressor/vítima) e testemunha de bullying (NETO AA, SAAVEDRA LH., 2004).
Alvos de bullying
Quais seriam os alunos alvos de bullying? Pode-se considerar aquele
aluno que é exposto, de forma repetida e durante certo tempo, às ações negativas
perpetradas por um ou mais alunos. Deve-se entender como ações negativas as
situações nas quais alguém, de forma intencional e repetida, causa dano, fere
ou incomoda outra pessoa.
Via de regra, eles não dispõem de
recursos, status ou habilidade para
contrapor ou cessar o bullying. Também
pode-se dizer que as vítimas deste fenômeno
são pouco sociáveis, inseguras e desesperançadas quanto à possibilidade
de adequação ao grupo ao qual pertençam. Sua já presente baixa auto-estima é
incrementada por críticas dos adultos acerca de sua vida ou comportamento,
dificultando a possibilidade de ajuda. Tem poucos amigos, é passivo, retraído,
infeliz e sofre com a vergonha, medo, depressão e ansiedade. De uma maneira
geral, sua auto-estima está tão comprometida que acredita que é merecedor
destes maus-tratos inflingidos pelos perpetradores do bulllying (NETO AA, SAAVEDRA LH. 2004).
Indiscutível que o tempo e a
regularidade das agressões contribuem fortemente para o agravamento dos
efeitos, que podem comprometer o desenvolvimento acadêmico, além de aumentar a
ansiedade, insegurança e o conceito negativo de si mesmo. A fim de se evitar
novas agressões, a vítima se excluiu do ambiente escolar e do convívio social, achando que, com isso, será poupada.
O papel desempenhado pela família,
embora não haja estudos precisos sobre métodos educativos familiares que
incitem o desenvolvimento do bullying, indicaram
que alguns deles são facilitadores, tais como: proteção excessiva, gerador de
dificuldades para encarar os desafios e para se defender; tratamento
infantilizado, causador de desenvolvimento psíquico e emocional aquém daquele
que é tido como aceitável pelo grupo; e o papel de “bode expiatório” da
família, no qual ele sofre críticas sistemáticas e é responsabilizado pelas
frustrações e traumas dos pais.
Em casos específicos nos quais houve
situações nas quais alunos armados invadiram as escolas e atiraram contra
colegas e professores, cerca de dois terços desses jovens eram vítimas de bullying, sendo certo que lançaram mão
de armas para combater o poder que os sucumbia e os subjulgava. As agressões
não tinham objetos e alvos específicos, o que se sugeria que havia um desejo
oculto de se “matar a Escola”, local onde, diuturnamente, todos presenciavam
seu sofrimento e nada faziam para protegê-los e impedir tal violência (NETO AA, SAAVEDRA LH. 2004).
De maneira geral, é pouco comum que a
vítima do fenômeno bullying se abra,
revelando, de maneira espontanea a violência sofrida, visto recear retaliações,
pois descrê nas atitudes favoráveis da escola ou por recear possíveis críticas.
Nas pesquisas conduzidas pela ABRAPIA, 41,6% dos alunos alvos admitiram não ter
falado a ninguém sobre essa violência. Entrementes, o silêncio somente é
interrompido quando as vítimas sentem que serão, efetivamente, ouvidas,
respeitadas e seu drama valorizado. Conscientizar crianças e adolescentes que
essa violência oculta e subrepticia é inaceitável e que não será tolerada
permite que o enfrentamento deste mal seja feito com mais firmeza, transparência
e liberdade.
Autores de bullying ou bullies
Quais seriam as condições familiares
adversas para o aparecimento e desenvolvimento da agresssividade nas crianças?
Segundo pesquisas, houve a identificação da desestruturação familiar, do
relacionamento afetivo pobre, do excesso de tolerância ou de permissividade e da
prática de maus-tratos físicos ou explosões emocionais como forma de afirmação
do poder dos pais como essas condições (NETO AA, SAAVEDRA LH., 2004).
Não se pode negar que fatores
individuais influem na adoção de comportamentos agressivos, tais como:
hiperatividade, impulsividade, distúrbios comportamentais, dificuldade de
atenção, baixa inteligência e desempenho escolar deficiente.
Via de regra, o autor do bullying é uma figura bastante popular
no meio escolar; existe uma tendência de se envolver em uma grande gama de
comportamentos anti-sociais; pode mostrar-se agressivo inclusive com os
adultos; é impulsivo; encara como qualidade essa agressividade; exibe opiniões
favoráveis sobre si mesmo, no que tange ao bullying,
é geralmente mais forte que seu alvo; sente um prazer e satisfação sádica
em dominar, controlar e causar danos e sofrimentos a outros. Tirando esse fato,
pode haver um “componente benefício” em sua conduta anti-social, como ganhos
sociais e materiais (University of
Colorado. Center of Study and Prevention of Violence – Institute of
Behavioral Science at University at Bouder. Blueprints for violence prevention Training
and technical assistance. Disponibilizado em: www.colorado.edu/cspv/blueprints/model/programs/BPP.html.
Acesso em 01.09.11).
São, para se dizer, menos satisfeitos
com a escolar e as respectivas famílias, mais propensos ao absenteísmo e à
evasão escolar e têm uma tendência maior para apresentarem comportamentos de
risco (consumir tabaco, álcool ou outras drogas, portar armas, brigar, etc). Frise-se
que as possibilidades são maiores em crianças ou adolescentes que adotam
atitudes anti-sociais antes da puberdade e por longo tempo (LD Online. Bullying
: Peer abuse in schools. Source: Preventing
Bullying – A manual for Schools and Communities US Department of Education 11/3/1998,
www.ldonlline.org/ld_indepth/socil_skills/preventing_bullying.html. Acesso em
01.09.11).
Também pode manter um pequeno grupo em
torno de si, através da força física e constrangimento, que atua como
coadjuvante, auxiliar em suas agressões ou é indicado para agredir o alvo.
Neste diapasão, o autor dilui, minimiza a responsabilidade por todos ou a
transfere para seus liderados. Esses coadjuvantes, identificados como
assistentes ou seguidores, raramente tomam a iniciativa da agressão, são
inseguros ou ansiosos e se submetem à liderança do autor de bullying ou para se proteger ou pelo
prazer de pertencer ao grupo dominante (PEARCE;
THOMPSON, 1998).
Testemunhas de bullying
Em sua grande maioria, os alunos não se
envolvem diretamente em atos de bullying,
e, via de regra, se calam por medo de ser a “próxima vítima”, visto não
terem parâmetro de como agir e por não acreditarem na eficácia da escola
enquanto ente que coíbe tal fenômeno. Essa atitude de silêncio pode ser
entendida pelos autores como afirmação de seu poder, o que ajuda a acobertar
tais atos, transmitindo uma falsa tranquilidade aos adultos (NETO AA, SAAVEDRA
LH, 2004).
Grande parte das testemunhas sente
simpatia pelos alvos, tende a não culpá-los pelo ocorrido, condena o
comportamento dos autores e deseja que os professores intervenham mais
efetivamente (MENESINI et al, 1998).
A maneira como agem enquanto
coadjuvantes ao fenômeno bullying permitiu
classificá-los como auxiliares (participam ativamente da agressão),
incentivadores (incitam e estimulam o autor), observadores (só observam ou se
afastam) ou defensores (protegem o alvo ou chamam um adulto para interromper a
agressão).
Um número expressivo de testemunhas é levado
a acreditar que o uso de comportamentos agressivos contra os colegas é a via
mais rápida para alcançarem a popularidade e o poder e, por isso, tornam-se
autores de bullying (LOPES NETO,
2005). Outros podem, ainda, revelar prejuízo no aprendizado; receiam ser
relacionados à figura do alvo, ao perder seu status e tornar-se alvos, também, ou aderem ao bullying por pressão de colegas (LD Online. Bullying: Peer abuse in schools. Source:
Preventing Bullying – A manual for Schools and Communities US Department
of Education11/3/1998. Disponível
em: www.ldonlline.org/ld_indepth/socil_skills/preventing_bullying.html. Acesso em 01.09.11).
Ocorre que, se as testemunhas
interferirem e tentarem cessar o bullying,
essas ações se efetivam na maioria dos casos. Daí, a importância em
incentivar o uso desse poder advindo do grupo, ao conscientizar os autores a se
sentirem sem o apoio social necessário (NETO AA, SAAVEDRA LH, 2004).
Alvos/autores de bullying
Cerca de 20% dos alunos autores também
se mostraram ser vítimas de bullying, sendo,
portanto, denominados de alvos/autores. A química combinativa baixa auto-estima
e atitudes agressivas e provocativas indicou que uma criança ou adolescente
tem, como razão para a prática de bullying,
prováveis alterações psicológicas, devendo, consequentemente, merecer uma
atenção especial. Podem, ainda, ser depressivos, inseguros e inoportunos,
procurar humilhar os colegas com o intuito de encobrir suas limitações. Pelo
fato de serem impopulares e pelo alto índice de rejeição entre seus colegas, e
por vezes, pela turma toda, eles se diferenciam dos alvos típicos. Também podem-se
destacar sintomas depressivos, pensamentos suicidas e distúrbios psiquiátricos
neste grupo (NETO AA, SAAVEDRA LH. 2004).
Consequências do bullying
Diante de tudo o que se expôs no corpus deste trabalho, pode-se afirmar
que alvos, autores e testemunhas enfrentam consequências físicas e emocionais
de curto e longo prazo (American Violence
Association. Comission for the prevention of youth violence. Youth
and violence. Disponível em: www.ama-assn.org/ama/upload/mm/386/fullreport.pdf
acesso em 02.09.11), as quais podem causar
dificuldades acadêmicas, sociais, emocionais e legais. Desnecessário afirmar
que as crianças e adolescentes não são acometidas de maneira uniforme, mas sim
existe uma relação direta com a frequência, duração e severidade dos atos de bullying (NETO AA, SAAVEDRA LH, 2004).
Quanto mais jovem a pessoa sofreu bullying,
mais propensa está a sofrer de depressão e baixa auto-estima quando
adultos. Analogamente, quanto mais jovem a criança apresentar agressividade,
maior será o risco de apresentar problemas associados a comportamentos
antissociais em adultos e à perda de oportunidades, assim como a instabilidade
em empregos, e em relacionamentos
afetivos que serão pobres, além de dura duração (Disponivel em: www.kidshealth.org.parent/emotions/bullies.html. Acesso em 05.08.11).
Inequívoco afirmar que, com o simples testemunho de atos de bullying, já é suficiente para causar
descontentamento com a escola e comprometer o desenvolvimento acadêmico e
social.
Devem-se mencionar, ainda, prejuízos financeiros e sociais que são
oriundos do bullying, pois atingem
também as famílias, escolas e a sociedade em geral. Crianças e adolescentes que
são atingidos pelo fenômeno quer sofram, quer pratiquem, podem vir a necessitar
de múltiplos serviços, tais como saúde
mental, Justiça da Infância e Adolescência, educação especial e programas
sociais.
Quanto ao comportamento dos
pais dos alunos-alvo, verificou-se que podem ocorrer a variação desde a
descrença ou indiferença até reações de ira, raiva e inconformismo contra si
próprios e contra a escola. O sentimento de impotência, culpa e incapacidade
para vencer o bullying na vida de
seus filhos passou a ser a principal preocupação de suas vidas, surgindo, deste
modo, sintomas depressivos e influenciando sua performance no trabalho e nas relações interpessoais. Já a negação
ou indiferença da comunidade escolar (professores, gestores de escolas) pode
gerar desestimulo e a sensação de que não existe, realmente, uma preocupação
pela segurança dos alunos (Anonyme
Foreldre. Av MOBBEOFRE. Dag Oulie Psychiatrist. Disponível em: www.afam.no/cgi/nyheter.pl?id=37&lang=1.
Acesso: 02.09.11).
No que tange à relação familiar, esta pode ser seriamente comprometida.
Isto porque a criança ou adolescente pode sentir-se traído, se perceber que os
pais põem em cheque seus relatos ou, ainda, quando suas ações não são
assertivas (American Academy of Child
& Adolescent Psychiatry. Bullying. AACAP facts for families no. 80; c.
2004. Disponível em: www.aacap.org/pubblications/factsfam/80htm.
Acesso em 02.09.11).
O
Papel da Educação e Intervenções
Atualmente, é indiscutível que a violência pode ser banida ou, ao menos,
ter seus efeitos minimizados, caso os seus condicionantes forem modificados.
Neste sentido, a educação embora sozinha não consiga dar conta desta tarefa,
terá, sim, um papel fundamental para extinção ou não reprodução deste mal.
A fim de construir uma sociedade onde não impere a violência, é imprescindível
que os órgãos competentes tenham um olhar mais acurado para o papel da
Educação, pelo fato de que é nele que deve iniciar
a construção de uma cultura de paz.
Lopes Neto (2005) afirma que existem vários exemplos bem sucedidos de
iniciativas contra a violência em diferentes lugares do mundo, que vão desde
programas de menor porte até políticas de abrangência nacional.
Não obstante tais exemplos, a ausência de referências tem dificultado a
educação dos jovens do século XXI. Quer-se dizer com isso que os pais estão
cada vez mais ausentes, e tem-se dado uma procuração em branco somente à escola
com a finalidade de educar as crianças. Neglicenciam, ainda, a educação
emocional de seus filhos e não estão acostumados a exercer o diálogo em casa. A
situação tem-se deteriorado, uma vez que muitas vezes a própria escola tem se
mostrado ineficiente ao trabalhar a afetividade dos alunos. Neste diapasão, os
estudantes acabam reproduzindo na escola a educação que receberam em casa (ou
ainda, a falta dela), em suas relações interpessoais, através da agressividade
(CHALITA, 2008).
Neste diapasão, a intervenção e prevenção do fenômeno bullying em uma determinada escola
dependerão, majoritariamente, da consciência da comunidade escolar sobre a
existência do fenômeno e principalmente da relevância das consequências geradas
pelo mesmo. Havendo o entendimento de que o bullying
existe em grau maior ou menor em suas mais diversas realidades, e que não depende da classe social ou rede de
ensino (particular ou pública) e que também ele é um fato gerador de outras
formas de violência, diríamos, matriz de outros males de uma comunidade
escolar, será fundamental para o sucesso ou insucesso no enfrentamento da
violência entre escolares. Em outras palavras, primeiramente deve-se ter o
conhecimento ou aceitação do fenômeno bullying
(FANTE, 2005).
Não se deve esquecer, ainda, que os educadores devem aprender a lidar
com suas emoções para, deste modo, se tornarem capacitados a trabalhar com as
emoções de seus alunos, abordando em suas aulas o tema transversal da
afetividade. Assim o fazendo, os profissionais de Educação aprenderão a
trabalhar com seus conflitos e com as variegadas formas de violência, em
especial com o fenômeno bullying (FANTE,
2005).
Neste contexto, é imprescindível que haja o desenvolvimento de ações
solidárias nas escolas, objetivando o resgate da cidadania, a tolerância, o
respeito ao próximo e a consciência e valorização das individualidades, quer
sejam de gênero ou comportamentais, além de promover um ambiente que favoreça a
melhora da auto-estima do indivíduo. Assim o fazendo, investindo na formação de
pessoas melhores, como consequência constrói-se uma sociedade melhor (CHALITA,
2008).
Ademais, as ações de combate ao bullying
são praticamente sem custos. Uma constante supervisão da escola por parte
da escola estimulará os educandos a participar, mostrando aos agressores que
estes não contam com o apoio do restante do grupo. Além disso, o tema pode ser
abordado, ainda, através de dramatizações, assim como podem ser criados grupos
de apoio às vítimas, para que sintam protegidas, consequentemente, auxiliando
na solução dos casos (LOPES NETO, 2005).
Não custa lembrar que todos os casos de bullying têm solução que deve ser encontrada entre os co-participantes
do processo ensino-aprendizagem diretos
ou indiretos. Por ser um fenômeno muito complexo, quase nunca essa solução
aparecerá num passe de mágica, ao acaso, de forma simples e rápida, sendo
necessário, deste modo, um trabalho contínuo e preventivo, que deve ser
inserido como um tema transversal nas diversas atividades escolares (LOPES
NETO, 2005).
Assim deve-se encorajar os alunos a participarem ativamente da
supervisão e intervenção dos atos de bullying,
pois o enfrentamento da situação pelas testemunhas demonstra aos autores
que eles não terão o apoio do grupo. Treinamentos através de técnicas de
dramatização podem ser úteis para que adquiram habilidade para lidar de
diferentes formas. Uma outra estratégia é a formação de grupos de apoio, que
protegem os alvos e auxiliam na solução das situações de bullying.
Diante do que se expôs, fica perfeitamente claro que dois erros
principais não podem ser cometidos. O primeiro é o de nunca subestimar o problema
como simples brincadeira de idade, o que possivelmente só irá agravar mais
ainda a situação. O segundo, é o equívoco de tratar isoladamente agressores e
vítimas, como geralmente acontece nas escolas.
Não obstante não haja uma fórmula pronta para o combate ao fenômeno bullying, é consenso entre os autores
estudados o fato de que jamais devem ser tomadas atitudes violentas. Se não se
pode indicar o caminho do sucesso nesta tarefa, ao menos é possível saber que
enfrentar o problema com mais violência, seguramente levará a resultados sem
êxito (LOPES NETO, 2005).
![]() |
| Somente com uma cultura de PAZ conseguiremos vencer o bullying e seus efeitos nefastos na sociedade e na escola |
Conclusão
Não há dúvida de que a
violência, nos últimos anos, tem se desenvolvido e lançado seus tentáculos em
todos os aspectos sociais, em escala mundial, acarretando graves consequências
para a sociedade. Também não há dúvida de que esse tentáculo abarcou a escola,
e ela tem se mostrado fraca e incapaz de combater esse fenômeno de condutas
anti-sociais que ocorrem dentro de
seu seio. Vários tipos de violência ocorrem dentro do ambiente escolar, mas o
que se destaca, ultimamente, é a agressividade entre os educandos, mais
precisamente o fenômeno bullying.
O que chama atenção neste fenômeno é o
potencial que ele tem para gerar consequências drásticas e funestas ao
psiquismo do indivíduo, acarretando prejuízos de ordem emocional e
sócio-educacional, em especial relacionada ao fracasso escolar.
O fato de se desprezar ou minimizar o bullying como uma atitude de menor
relevância é o principal obstáculo para sua superação, indicando a necessidade
de se ter mais discussões e trabalhos desveladores a seu respeito, visando à
conscientização do mal, assim como alertar à comunidade escolar que ela nunca
deve continuar funcionando como mera reprodutora dessa forma de violência.
Neste contexto, a importância deste
trabalho foi o de ser voltado não somente para estudos acadêmicos, mas para a
sociedade como um todo, com o intuito de se alertar, ampliar os debates acerca
do fenômeno bullying na escola. .
As soluções para debelar e prevenir esse
mal não são das mais simples, visto que deve haver uma ação contínua e
interdisciplinar, partindo-se da parceria entre a família, a escola, assim como
os profissionais da área de saúde. Batalhando sob esse comando, será possível
construir um ambiente de paz e felicidade que é essencial para qualquer
indivíduo.
A construção de uma sociedade melhor
depende de diversos fatores que muitas vezes fogem da competência da Educação,
mas por outro lado, ela desempenha um papel essencial nesse jogo de
socialização do educando, a partir do resgate de valores tais como a
solidariedade, o respeito, a tolerância para como diferente, o amor, para,
deste modo, se criar laços entre os indivíduos, e que estão cada vez mais
frágeis. É inquestionável que a formação de seres humanos melhores é a pedra
basilar para a construção de um mundo melhor.
Referências
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